Fragmentação de dados dificulta prevenção de feminicídios, dizem especialistas
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Brasil

Fragmentação de dados dificulta prevenção de feminicídios, dizem especialistas

A falta de integração entre instituições que atendem mulheres vítimas de violência pode fazer com que sinais prévios, como ameaças e descumprimento de medidas protetivas, não sejam identificados a tempo. Especialistas defendem uma rede de atendimento conectada e ações para ampliar os registros de violência.

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Por Redação Fato Inteiro · 27 de setembro de 2026 às 07:01
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Ameaças, agressões e violações de medidas protetivas costumam anteceder casos de feminicídio. Segundo especialistas ouvidos em painel do 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a atuação fragmentada dos serviços impede que o Estado acompanhe a trajetória completa da violência e perca oportunidades de intervenção.

A promotora Silvia Chakian, do Ministério Público de São Paulo, defendeu a integração entre as instituições responsáveis pelo atendimento e pelo combate à violência. Para o delegado Julio Guebert, professor da Academia de Polícia Civil de São Paulo, delegacias, Ministério Público, Defensoria, saúde e educação precisam atuar em rede.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que 72,9% dos municípios com menos de 100 mil habitantes não têm nenhum serviço especializado de atendimento à mulher. A promotora afirmou que é justamente nesses territórios que ocorrem mortes porque muitas mulheres não encontram onde pedir ajuda.

A delegada Cristine Costa, titular da 1ª Delegacia de Defesa da Mulher, citou o boletim de ocorrência eletrônico de violência doméstica de São Paulo como uma forma de facilitar o registro e a solicitação de medidas protetivas. Ela também defendeu a capacitação de policiais para acolher denúncias desde o primeiro sinal de violência, sem pré-julgamento.

Os registros de feminicídio cresceram 4,7% em 2025 em relação ao ano anterior, enquanto os homicídios dolosos diminuíram, segundo os trechos apresentados. A promotora Juliana Tocunduva também apontou subnotificação, dificuldades de acesso à Justiça, medo de represálias e dependência econômica como barreiras para o pedido de ajuda. Em 2025, foram concedidas mais de 621 mil medidas protetivas e registrados 135 mil descumprimentos, de acordo com os dados mencionados por ela.

Fonte: Poder360

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