

Fim do tratamento não encerra medo da volta do câncer, dizem especialistas
Mulheres podem continuar enfrentando medo, insegurança e mudanças físicas e emocionais após o fim do tratamento do câncer de mama. Profissionais defendem a continuidade do acompanhamento médico e do suporte psicológico.
O fim da quimioterapia ou da radioterapia pode inaugurar uma etapa marcada por incertezas para mulheres que enfrentaram o câncer de mama. Segundo a psicóloga clínica Laís Mutuberria Vieira, o suporte emocional pode continuar sendo necessário mesmo após o encerramento do tratamento.
A especialista afirma que a rotina de consultas, exames e contato frequente com profissionais de saúde diminui depois do tratamento, enquanto o temor da recidiva pode permanecer. Exames de acompanhamento, dores ou outras alterações podem ser interpretados como sinais de retorno da doença.
Laís também destaca impactos físicos e emocionais que podem persistir, como fadiga, cicatrizes, mudanças na imagem corporal, na sexualidade, na intimidade e na disposição para atividades diárias. Para ela, o cuidado com a mulher não deve terminar junto com a última sessão de tratamento.
A mastologista e radiologista Renata Reis Pinto, que atua no Instituto Nacional de Câncer (Inca), afirma que o câncer de mama ainda é cercado de estigmas e pode ser visto como uma sentença de morte. Ela defende um atendimento multidisciplinar, com participação de assistência social e psico-oncologia, conforme as necessidades de cada paciente.
Josiane Fernandes, de 48 anos, descobriu a doença no início de 2025 e passou por cirurgia, quimioterapia e imunoterapia durante cerca de um ano e três meses. Após o tratamento, ela continuou o acompanhamento médico e relatou que consultas e exames ainda provocam pânico. “O tratamento pode terminar, mas o medo nem sempre termina junto”, disse.
Segundo a estimativa do Inca citada pela Agência Brasil, o câncer de mama representa 30% dos casos de tumores mais incidentes entre as mulheres em 2026. A projeção é de 78.610 novos casos no Brasil a cada ano do triênio de 2026 a 2028, com risco estimado de 71,57 casos por 100 mil mulheres.
Fonte: Agência Brasil
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