Favelas movimentam R$ 300 bilhões, mas seguem fora do mercado de seguros
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Brasil

Favelas movimentam R$ 300 bilhões, mas seguem fora do mercado de seguros

Moradores de favelas relatam riscos que afetam patrimônio, renda e despesas familiares, enquanto os microsseguros arrecadaram R$ 1,46 bilhão no Brasil em 2025. Pesquisa aponta barreiras como preço, falta de confiança e percepção de que os produtos não são feitos para esse público.

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Por Redação Fato Inteiro · 20 de setembro de 2026 às 08:33
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Nas favelas brasileiras vivem 17,2 milhões de pessoas, distribuídas por 6,6 milhões de domicílios. Essas famílias movimentam R$ 300 bilhões em renda própria por ano, mas ainda aparecem pouco nas estatísticas de microsseguros. Em 2025, essa modalidade arrecadou R$ 1,46 bilhão, valor equivalente a cerca de 1% dos seguros de danos e 10,9% menor que o registrado em 2024.

Uma pesquisa do Instituto Locomotiva encomendada pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) indica que 62% dos moradores de favelas já passaram por situações que poderiam ter sido mais fáceis com um seguro. Os principais riscos citados incluem roubo de celular, quebra de equipamentos de trabalho, perda de renda por doença ou acidente e despesas com funeral.

O levantamento também mostra obstáculos à contratação. Para 65% dos entrevistados, o seguro é caro demais; 64% temem pagar e não receber quando precisarem; 39% associam o produto a pessoas ricas; e 38% consideram a contratação difícil ou burocrática. Segundo os dados, 57% veem como principal função do seguro oferecer tranquilidade e segurança.

A experiência de Helen de Araújo, moradora de Paraisópolis, em São Paulo, ilustra o impacto de uma despesa inesperada. Após a família precisar se reunir para pagar o funeral de sua sobrinha, ela contratou um seguro pessoal com assistência funerária. Já Jaqueline Amorim, mãe solo e profissional em várias atividades, adquiriu uma apólice que, segundo ela, custa aproximadamente R$ 40 por ano. Depois da morte de uma tia, afirmou ter acionado a cobertura pela primeira vez.

O mercado enfrenta ainda um problema de escala. De acordo com Luís Eduardo Afonso, professor da FEA-USP, produtos de baixo valor geram pouco retorno por cliente e exigem uma base ampla de segurados para compensar os custos de distribuição, informação e relacionamento. Para Renato Meirelles, do Instituto Locomotiva, as coberturas precisam considerar bens que também são instrumentos de trabalho, como motos, veículos antigos e equipamentos usados para gerar renda.

Algumas seguradoras passaram a testar novas formas de distribuição. A Mapfre, por exemplo, levou equipes comerciais e técnicas para dentro das favelas há quase quatro anos, ouviu moradores sobre os riscos mais frequentes e, a partir dessas conversas, redesenhou coberturas e criou produtos específicos.

Fonte: Poder360

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