

Estudo mostra como violações de regras podem se espalhar em grupos
Pesquisa publicada na Proceedings of the Royal Society B indica que transgressões graves podem estimular infrações ainda maiores entre observadores. O efeito foi mais forte quando havia afinidade política entre quem observava e quem cometia a violação.
Um estudo liderado por Lucas Molleman, da Universidade de Amsterdã, investigou como o comportamento de outras pessoas influencia a disposição para descumprir regras. A pesquisa reuniu 750 participantes nos Estados Unidos, divididos igualmente entre republicanos e democratas.
No experimento on-line, repetido seis vezes, os voluntários precisavam identificar o quadrado de maior brilho em uma sequência de 100 imagens de uma estrela cadente. Escolher quadrados à direita da resposta correta rendia prêmios maiores, criando um incentivo financeiro para desrespeitar as instruções.
Depois de cada escolha, os participantes viam a decisão de outra pessoa, a gravidade da eventual infração e sua filiação política. A observação de alguém seguindo as regras reduziu discretamente a tendência de trapacear, enquanto pequenas violações tiveram efeito oposto. As infrações mais graves produziram a maior mudança, levando alguns participantes a transgredir em nível superior ao que haviam observado.
Simulações computacionais feitas pela equipe indicaram que uma minoria disposta a ampliar as violações pode provocar uma escalada coletiva. O efeito, porém, foi mais consistente quando havia identificação política entre o observador e a pessoa observada.
Os autores ressaltaram que o contágio não foi automático: cerca de um terço dos participantes seguiu as regras de maneira consistente, mesmo deixando de receber a maior recompensa. A pesquisa foi realizada em um ambiente on-line, abstrato e sem penalidades reais, e o professor Stephen Reicher, da Universidade de St Andrews, afirmou que presenciar tumultos não leva necessariamente as pessoas a participar deles.
Fonte: CNN Brasil
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