

Estudo indica que personalidade muda mais ao longo da vida do que se imagina
Pesquisa publicada na revista Communications Psychology comparou a percepção de 887 adultos com dados de 166.971 pessoas. Os resultados apontam que mudanças nos traços de personalidade são mais comuns do que se acreditava.
Um estudo realizado por pesquisadores das universidades de Zurique e Texas A&M e de instituições da Alemanha analisou como a personalidade se transforma ao longo da vida. O trabalho foi publicado na revista científica Communications Psychology, uma das publicações da Nature.
A pesquisa avaliou os cinco grandes traços de personalidade, conhecidos como “big five”: extroversão, amabilidade, conscienciosidade, neuroticismo e abertura à experiência. Os autores compararam a percepção das pessoas com dados longitudinais sobre mudanças ocorridas entre diferentes fases da vida.
No primeiro estudo, 887 adultos representativos da população dos Estados Unidos em sexo, idade e raça estimaram como os traços e outras 20 características mudariam dos 15 aos 90 anos. No segundo, foram analisadas oito bases de dados dos Estados Unidos, Alemanha, Austrália e Holanda, reunindo informações de 166.971 pessoas.
Os resultados indicaram que as mudanças médias anuais e ao longo da vida nos cinco traços foram comparáveis ou, em muitos casos, superiores às observadas em satisfação com a vida, saúde subjetiva, renda e autoestima. A percepção dos participantes subestimou especialmente as mudanças acumuladas quando os cinco traços foram considerados em conjunto.
Segundo os autores, isso não significa que a personalidade mude completamente ou que uma pessoa se transforme em outra. O estudo examinou principalmente alterações médias nos níveis dos traços, medida que não contempla todas as diferenças individuais.
Os pesquisadores também apontaram limitações. Como os dados vieram de países ocidentais e democráticos, os resultados podem não se aplicar a outras populações. Além disso, fatores históricos, culturais e sociais podem influenciar as crenças sobre a estabilidade da personalidade, e pesquisas futuras poderão usar outras formas de medir mudança e estabilidade.
Fonte: g1 Saúde
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