Estudo da USP alerta para impacto de cortes em benefícios no interior
Foto: © Fernando Frazão/Agência Brasil · Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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Estudo da USP alerta para impacto de cortes em benefícios no interior

Levantamento do Made-USP estima que a estagnação ou redução de benefícios sociais e previdenciários poderia provocar retração severa na economia de municípios do interior. Sem ganhos reais, a renda agregada dessas cidades ficaria entre 6,8% e 10,8% abaixo do cenário de valorização dos benefícios.

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Por Redação Fato Inteiro · 16 de outubro de 2026 às 21:59
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Um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da FEA-USP, aponta que aposentadorias, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC) têm peso relevante na economia dos municípios do interior. Segundo o levantamento, os benefícios podem representar quase metade do orçamento das famílias mais pobres.

O estudo afirma que cerca de 4 mil dos 5.569 municípios brasileiros ficam fora das regiões metropolitanas. Nesses locais, o peso das transferências públicas pode chegar ao dobro do observado nos grandes centros urbanos. No Ceará, os benefícios correspondem a 22% da renda agregada da capital e da região metropolitana, ante 40% nas cidades do interior.

A pesquisa projetou, para os três anos seguintes, os efeitos da evolução da renda dos benefícios. A análise comparou o período de 2022 a 2025, marcado por crescimento real do BPC e das aposentadorias, com os reajustes aplicados entre 2019 e 2022, quando não houve ganhos reais do salário mínimo e ocorreu congelamento total.

Nesse cenário sem reajustes, a renda agregada do interior do país ficaria entre 6,8% e 10,8% abaixo do patamar registrado com a valorização real dos benefícios. As maiores perdas ocorreriam no interior do Rio Grande do Norte, do Amapá e do Piauí, com quedas estimadas entre 17% e 18%. Amazonas, Sergipe e Pernambuco teriam perdas próximas de 15%.

O levantamento também estima que a ausência de ganhos reais entre 2022 e 2025 teria levado aproximadamente 2,7 milhões de pessoas à pobreza em municípios fora das regiões metropolitanas, incluindo 2,4 milhões em extrema pobreza. As maiores altas absolutas seriam registradas na Bahia, em São Paulo e em Minas Gerais.

Fonte: Agência Brasil

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