

Estudo aponta menor transparência em anúncios políticos no Brasil
O Brasil oferece menos acesso a dados de publicidade nas redes sociais do que a União Europeia e o Reino Unido, segundo levantamento do NetLab e da Universidade de Cambridge. As diferenças aparecem em informações sobre gastos, anunciantes, alcance e público-alvo.
O estudo classificou como “insuficiente” a transparência de dados de publicidade no Facebook e no Instagram no Brasil. Na União Europeia, o nível foi considerado “limitado”; no Reino Unido, “significativo”. A avaliação levou em conta a existência das ferramentas e também a qualidade, o detalhamento e as condições de acesso às informações.
Em outras plataformas, o acesso brasileiro foi classificado como “indisponível” no TikTok e no X, antigo Twitter, e como “insignificante” no YouTube. Na União Europeia e no Reino Unido, TikTok e YouTube tiveram níveis superiores, enquanto o X também apresentou restrições nas regiões analisadas.
A Biblioteca de Anúncios da Meta é apontada como uma das principais ferramentas disponíveis para acompanhar publicidade política no país. Ainda assim, os pesquisadores afirmam que os valores gastos e informações sobre alcance e perfil do público são apresentados em faixas, o que dificulta a verificação precisa dos investimentos.
Segundo Débora Salles, coordenadora-geral de pesquisa do NetLab UFRJ, anúncios relacionados a temas políticos podem não ser classificados como publicidade política e, por isso, ficam fora do repositório específico. Ela afirma que esse cenário impede uma medição completa da publicidade patrocinada ligada à disputa eleitoral.
As regras da Justiça Eleitoral exigem que plataformas que oferecem impulsionamento político mantenham repositórios com dados sobre responsáveis pelo pagamento, valores e características do público alcançado. Para os autores do estudo, porém, seriam necessárias regras comuns entre plataformas e países, com acesso público mais amplo e mecanismos interoperáveis.
Fonte: g1 Política
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