Estudantes que denunciaram abusos em internato islâmico se casam na Indonésia
Reprodução/BBC News Brasil
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Estudantes que denunciaram abusos em internato islâmico se casam na Indonésia

Yusron Azzahidi e Ziadatur Rahmah reuniram relatos e gravações sobre supostos abusos cometidos por um antigo diretor de escola em Lombok. Durante a investigação, os dois se aproximaram e se casaram no mês passado.

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Por Redação Fato Inteiro · 20 de setembro de 2026 às 09:06
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Yusron Azzahidi começou a investigar o antigo diretor da escola Abu Barokat, em Lombok, depois que sua ex-colega Ziadatur Rahmah relatou ter sido vítima de abuso sexual aos 16 anos. Os dois, que estudavam na instituição, estavam na universidade quando retomaram o contato e passaram a conversar sobre as experiências vividas no internato.

Com as amigas Wanda Hamidah e Mahima Eka, eles procuraram outros estudantes e reuniram relatos sobre supostas agressões. Yusron organizou as informações em um documento de sete páginas e gravou ligações nas quais o ex-diretor, Ahmad Imanuddin Sumar, conhecido como “Abah”, teria pedido que ele e Ziadatur retirassem as alegações e permanecessem em silêncio.

Sukma Rohana, que ainda estudava na escola, também relatou à BBC uma tentativa de estupro. Segundo ela, foi chamada à casa do diretor, conseguiu fugir e depois foi pressionada a assinar um documento afirmando que suas acusações eram falsas. Uma gravação feita por Sukma posteriormente registrou uma conversa em que a esposa de Abah mencionava um “acordo” para negar que algo tivesse acontecido.

A organização Nahdlatul Wathan Diniyah Islamiyah (NWDI), responsável pela escola, afirmou que continua investigando internamente as acusações e negou ter tentado encobri-las. A entidade disse ter “o dever de proteger a organização de ser manchada pelas supostas ações de indivíduos”. Abah e sua esposa não responderam aos contatos da reportagem.

Sukma apresentou uma denúncia à polícia em fevereiro do ano passado e ainda aguarda providências. Abah continua no cargo. O advogado Joko Jumadi afirmou que as gravações feitas pelos estudantes são evidências valiosas por registrarem a pressão para que as vítimas permanecessem em silêncio.

A investigação também aproximou Yusron e Ziadatur. Após três anos de conversas e troca de mensagens, ele se mudou para o Cairo para ficar com ela. Os dois se casaram no mês passado.

Fonte: BBC News Brasil

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