

Especialistas questionam bloqueio do Discord após pedido de Janja
Especialistas avaliam que retirar o Discord do ar no Brasil pode levar usuários a recorrerem a VPNs ou migrar para plataformas ainda mais distantes das autoridades. A primeira-dama defendeu o bloqueio após a morte de uma adolescente de 13 anos em Naviraí (MS).
A primeira-dama Janja da Silva pediu nesta semana que o Discord fosse retirado “imediatamente” do ar no Brasil. A manifestação ocorreu após uma adolescente de 13 anos, de Naviraí (MS), ter sido coagida por usuários a cometer suicídio durante uma transmissão ao vivo na plataforma, segundo as investigações citadas pela BBC News Brasil.
Na terça-feira (4), a polícia apreendeu cinco adolescentes, entre 13 e 17 anos, e prendeu um homem de 18 anos, acusados de envolvimento na morte ocorrida em 22 de julho. O grupo teria usado o Discord e o Telegram para atrair meninas, disseminar discursos de ódio, radicalizar jovens e estimular comportamentos violentos.
Dados da Safernet apontam 406 denúncias envolvendo o Discord entre janeiro e julho de 2026, contra 264 no mesmo período de 2025. O número representa alta de 54% e é o maior para os primeiros sete meses desde o início da série histórica, em 2017.
Para Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil, um bloqueio poderia ser contornado com VPNs e outras ferramentas. Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks, também avalia que usuários e atividades criminosas poderiam migrar para plataformas sem representante legal no Brasil, dificultando a atuação das autoridades.
O Discord afirmou que não tolera grupos ou pessoas que promovam a violência e que coopera com as autoridades na investigação. A empresa também disse manter diálogo com órgãos brasileiros e relatar indivíduos às forças policiais.
A Agência Nacional de Proteção de Dados apura possíveis falhas da plataforma no cumprimento do ECA Digital. Após o caso, a empresa se comprometeu a apresentar medidas para ampliar a proteção dos usuários; se forem encontradas irregularidades, poderá sofrer sanções, incluindo multa de até R$ 50 milhões por infração.
Fonte: bbc.com
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