

Especialistas defendem ações integradas para prevenir automutilação e suicídio
Audiência na Comissão de Direitos Humanos do Senado discutiu medidas de prevenção, com foco em crianças e adolescentes, saúde mental no trabalho e canais de apoio em situações de emergência.
A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado realizou audiência pública nesta quinta-feira (10) para discutir políticas de prevenção da automutilação e do suicídio. O encontro teve como eixo o Setembro Amarelo e reuniu especialistas, representantes do governo federal, da sociedade civil e de organizações não governamentais.
Requerida pela presidente da comissão, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), a audiência abordou os cuidados com crianças e adolescentes em casa e nas escolas, os efeitos do ambiente de trabalho sobre a saúde mental e os canais disponíveis para pessoas em sofrimento psíquico. A senadora afirmou que a discussão buscava reduzir o estigma e estimular a procura por ajuda.
Dados apresentados na reunião apontam que o Ministério da Saúde registrou 15.507 mortes por suicídio no Brasil em 2021. Do total, 77,8% ocorreram entre homens. Também foram contabilizadas 114.159 notificações de violência autoprovocada, com 70% dos casos envolvendo pessoas do sexo feminino.
Na área educacional, Erasto Fortes, do Ministério da Educação, defendeu uma abordagem intersetorial e a criação de ambientes escolares “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”. Ele citou bullying, discriminação, racismo, violência de gênero, intolerância, exclusão social e humilhação como situações que não devem ser tratadas como episódios menores.
Participantes também relacionaram o sofrimento mental a fatores do ambiente profissional, como dificuldades econômicas, instabilidade financeira, desigualdade nas oportunidades de promoção e sobrecarga de trabalho. Representantes da área destacaram que empregadores devem manter ambientes de trabalho íntegros e seguros.
O Centro de Valorização da Vida informou que oferece atendimento gratuito e sigiloso pelo telefone 188, além de chat e e-mail, durante 24 horas. Segundo o representante da instituição, o CVV também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio.
A audiência ainda tratou dos possíveis impactos das apostas esportivas online sobre pessoas endividadas e da maior ocorrência de casos de suicídio entre a população negra. A campanha Setembro Amarelo foi oficializada pela Lei 15.199, sancionada em setembro de 2025, que também estabeleceu datas nacionais de prevenção da automutilação e do suicídio.
Fonte: Agência Senado
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