Entrada de profissionais estrangeiros no Japão desacelera com avanço da IA
Reprodução/Valor Econômico
Brasil

Entrada de profissionais estrangeiros no Japão desacelera com avanço da IA

O número de estrangeiros que ingressaram pela primeira vez no Japão com status de “profissional altamente qualificado” caiu em setembro de 2025 e manteve retração entre 20% e 40% ao longo deste ano. A redução da demanda por profissionais de tecnologia e tradutores ocorre junto a uma fiscalização mais rigorosa sobre esse tipo de residência.

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Por Redação Fato Inteiro · 15 de setembro de 2026 às 03:54
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Dados da Agência de Serviços de Imigração analisados pelo “Nikkei Asia” mostram que o fluxo de novos profissionais estrangeiros qualificados para o Japão perdeu força desde o outono de 2025. O total de portadores do status vinha crescendo desde 2022, mas a entrada de novos titulares passou a cair em relação ao ano anterior.

A inteligência artificial reduziu a procura por profissionais de TI e tradutores. Em uma escola profissionalizante de Osaka, apenas alguns dos cerca de 40 estudantes estrangeiros que se formarão na próxima primavera haviam recebido ofertas de emprego até o início de setembro, abaixo da média habitual de uma dúzia ou mais.

A B-cause, que atua com tradução e interpretação, registrou queda de cerca de 30% nas vendas desse segmento em relação ao pico de 2023. Segundo o CEO Kim Chungu, a empresa percebeu a mudança no outono passado. “A demanda caiu devido à disseminação da IA, e as barreiras para a contratação de estrangeiros tornaram-se muito maiores”, afirmou.

As autoridades de imigração também endureceram a fiscalização. Desde março, agências de recrutamento e empregadores precisam apresentar garantias por escrito de que os profissionais não exercerão atividades fora do escopo de seu status. Em abril, o Japão passou a exigir comprovação de proficiência em japonês para funções de atendimento ao público que utilizem o idioma.

O governo adotou as medidas após relatos de que alguns titulares do status de “profissional altamente qualificado” realizavam ilegalmente trabalhos não qualificados em fábricas, restaurantes e hotéis. O advogado Shohei Sugita afirmou que a combinação entre processos seletivos mais rigorosos e a relutância das empresas em contratar pode reduzir ainda mais o fluxo. Ainda assim, o presidente da Globalpower, Kouichi Takeuchi, disse haver demanda por talentos voltados ao atendimento de turistas estrangeiros e às vendas para o exterior.

Fonte: Valor Econômico

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