

Empresas centenárias combinam inovação e governança para manter negócios
Empresas brasileiras com mais de cem anos têm ampliado produtos, canais de venda e tecnologias sem abandonar suas atividades tradicionais. A organização da sucessão e a profissionalização da gestão aparecem como estratégias para garantir a continuidade dos negócios.
Segundo dados da Receita Federal citados pelo Valor Econômico, apenas 275 dos 28 milhões de CNPJs ativos têm registro de fundação anterior a 1926. Entre empresas centenárias de médio porte, a capacidade de se reinventar e a adoção de estruturas de governança são apontadas como características comuns.
A Aliança Metalúrgica, que completa cem anos em 2027, começou fabricando lustres e também produziu caixas de armazenamento e outros artefatos metálicos para o Exército. Atualmente, fabrica reguladores de gás e fechaduras convencionais e passou a importar e revender fechaduras eletrônicas no ano passado. Com 650 funcionários, faturou aproximadamente R$ 400 milhões em 2025 e espera crescer mais de 10% em 2026.
A companhia enfrentou uma recuperação judicial iniciada em 2018, encerrada formalmente em 2021. No período, profissionalizou a gestão, contratou executivos de mercado e instituiu um conselho consultivo. Para o consultor Renato Bernhoeft, conselhos de família ajudam a administrar conflitos entre herdeiros e a preservar a continuidade das empresas familiares.
Na Minancora, uma reestruturação iniciada em 1991 organizou departamentos, afastou parentes sem qualificação técnica da operação e estabeleceu um plano de sucessão. A empresa também ampliou sua presença digital, com e-commerce próprio, marketplaces e canais virtuais de redes farmacêuticas. O portfólio inclui a pomada tradicional, cremes, sabonetes antiacne e novos produtos em pesquisa e desenvolvimento.
A Haco Etiquetas, fundada em 1928, separou a família da operação por meio de um conselho independente, um conselho de família e a presença de apenas um herdeiro na gestão. A empresa produz mais de 1 milhão de metros de etiquetas por dia, exporta para mais de 40 países e incorpora automação, robótica e inteligência artificial à produção. Também estabeleceu metas de expansão apoiadas em etiquetas inteligentes de radiofrequência e novas linhas de produtos.
Fonte: Valor Econômico
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