

Dino expõe suspeitas sobre PCC e vínculos ligados ao caso Dark Horse
Decisão do ministro Flávio Dino tornou públicas informações sobre possíveis conexões entre recursos destinados ao filme “Dark Horse”, empresas e pessoas investigadas por vínculos com o crime organizado. O texto também intensificou o embate com o ministro André Mendonça e citou o senador Flávio Bolsonaro.
Em decisão divulgada no domingo (13), o ministro Flávio Dino reproduziu trechos de um despacho relacionado ao caso Master e defendeu a publicidade de atos processuais. Segundo a análise do Valor Econômico, ele também mencionou decisões do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, e afirmou estar diante de uma mudança jurisprudencial atribuída a André Mendonça.
A decisão expôs ao escrutínio público suspeitas envolvendo a produção do filme “Dark Horse”. Entre os citados estão Karina Gama, Mario Frias, Antonio Carlos Freixo, Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro. O texto descreve possíveis relações financeiras e empresariais, mas ressalta que ainda não foi comprovada a existência de dinheiro do PCC no filme nem a filiação à facção dos integrantes do circuito.
Um dos nomes mencionados é Alex Leandro Bispo dos Santos, apontado como prestador de serviços para empresas ligadas ao esquema e ao PCC. Karina Gama teria terceirizado, entre outras empresas, à Favela Conectada, ligada a Santos, o serviço de internet na periferia de São Paulo, em contrato de R$ 12 milhões. A fonte afirma que os vínculos atuais da empresa com o PCC ainda precisam ser provados.
Outra frente investigada envolve empresas e fundos relacionados a Antonio Carlos Freixo, além de instituições citadas na operação Carbono Oculto. Conforme a análise, a hipótese de lavagem de dinheiro ainda depende da comprovação das conexões entre essas estruturas. Dino autorizou que as investigações passem da Polícia Civil para a Polícia Federal, devido à presença de investigados com foro privilegiado e à suspeita de transações internacionais.
A apuração também pode depender de documentos mantidos nos Estados Unidos. Michael Davis, sócio da produtora Go Up, afirmou que não entregará os arquivos sem ordem expressa da Justiça americana. A análise avalia que a decisão de Dino poderá ampliar a exposição política do caso, mas destaca que ainda seria necessária a comprovação de eventual benefício de Flávio Bolsonaro em uma operação de lavagem de dinheiro comandada pelo PCC.
Fonte: Valor Econômico
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