

Crise eleitoral no Equador expõe disputa com partidos opositores suspensos
A oposição equatoriana enfrenta sucessivos impedimentos para disputar as eleições regionais de 29 de novembro, enquanto a antecipação do pleito preocupa a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). O caso mais emblemático é o de Luisa González, que teve candidaturas barradas por três siglas diferentes.
Luisa González, ex-candidata à Presidência e uma das principais opositoras de Daniel Noboa, tentou concorrer ao governo de Manabí pela Revolución Ciudadana (RC), partido do ex-presidente Rafael Correa. A legenda foi suspensa pela Justiça Eleitoral, assim como o movimento Amigo, que havia acolhido candidatos da RC. Depois, a candidatura de González pelo Pachakutik também foi barrada.
A opositora acusa Noboa de utilizar instituições para afastar adversários, mas os trechos não apontam provas diretas de envolvimento do governo, que nega a acusação. Para a CIDH, a combinação entre impedimentos e mudança no calendário eleitoral ameaça a participação política plural e igualitária.
As eleições, inicialmente previstas para 14 de fevereiro de 2027, foram antecipadas pelo Conselho Nacional Eleitoral para 29 de novembro deste ano. O órgão justificou a decisão pelo risco de um El Niño intenso provocar chuvas e inundações no início de 2027. Noboa afirmou que a mudança ajudaria eleitores rurais da Costa a chegar às urnas.
A suspensão da RC, determinada por nove meses em março no âmbito do caso Caja Chica, alcança o período de inscrição de candidaturas e a eleição. A investigação trata de suspeitas de lavagem de dinheiro e financiamento irregular da campanha presidencial de 2023. Em agosto, porém, a Justiça Eleitoral rejeitou uma denúncia contra Pabel Muñoz, prefeito correísta de Quito que busca a reeleição.
A CIDH também alertou para a necessidade de que eventuais restrições sejam necessárias e proporcionais, sem excluir alternativas políticas de forma arbitrária. A imprensa, segundo a Fundamedios, chega à disputa fragilizada: a organização contabilizou seis jornalistas e comunicadores assassinados em 2025 e 231 agressões à liberdade de expressão e a outros direitos relacionados.
Fonte: Valor Econômico
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