

Contrato do Banco Master previa até R$ 427 milhões a escritório ligado a desembargador
A Polícia Federal encontrou no celular de Daniel Vorcaro uma minuta de contrato entre o Banco Master e um escritório de advocacia ligado à esposa do desembargador Newton Ramos. O documento previa honorários de até R$ 427 milhões caso fossem bem-sucedidas ações sobre precatórios.
A minuta, datada de março de 2024, tratava da atuação do escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos em processos relacionados a precatórios. A banca pertence à advogada Camilla Ramos, esposa de Newton Ramos, desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
As ações envolviam causas da indústria sucroalcooleira, com valor total de R$ 8,5 bilhões. O contrato previa honorários líquidos de 5% sobre os valores recebidos pelo banco em cada processo, o que poderia levar a pagamentos de até R$ 427 milhões se houvesse êxito em todos os casos.
Mensagens encontradas pela PF mostram que Vorcaro lembrou Newton Ramos sobre um julgamento de interesse do banco. Em junho de 2025, Camilla Ramos também enviou mensagem ao banqueiro comemorando uma decisão favorável às usinas e tentou marcar um encontro com o desembargador.
As investigações mencionam ainda a chamada “Turma KN”, referência usada em mensagens para pessoas ligadas ao ministro Kassio Nunes Marques. Segundo os trechos divulgados, mensagens também tratavam de hospedagens, ingressos e participação em um camarote de Carnaval custeados por Vorcaro.
Em nota, Nunes Marques afirmou que nunca votou a favor de Vorcaro ou do Banco Master, que não trocou mensagens com o banqueiro e que nunca autorizou ninguém a falar em seu nome. Sobre o processo citado, disse que estava inicialmente impedido por anotação da Secretaria do tribunal, mas depois concluiu que não havia impedimento técnico e votou por se tratar de uma tese ampla, aplicável a diversas empresas.
O Banco Master comprou, em 2023, direitos sobre precatórios por meio de fundos de investimento. Esses créditos estão sob investigação na Operação Compliance Zero por suspeitas de terem sido expedidos antes do encerramento dos processos, quando ainda poderiam existir recursos da União.
Fonte: g1 Política
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