Contas do RJ perdem força após receitas extraordinárias de 2021
Reprodução/Valor Econômico
Brasil

Contas do RJ perdem força após receitas extraordinárias de 2021

O resultado orçamentário do Rio de Janeiro caiu após o pico de 2021, impulsionado por receitas da concessão da Cedae e do petróleo. Para 2026, o Estado projetou inicialmente déficit de quase R$ 19 bilhões, mas o governo interino estima um resultado menor ou até positivo.

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Por Redação Fato Inteiro · 6 de setembro de 2026 às 15:55
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Os indicadores fiscais do Rio de Janeiro perderam força ao longo da segunda gestão de Cláudio Castro, que renunciou ao cargo em março. O resultado orçamentário, que havia alcançado superávit de R$ 16,8 bilhões em 2021, recuou nos anos seguintes e registrou déficit de R$ 2,5 bilhões em 2024. Em 2025, voltou ao campo positivo, com R$ 1,3 bilhão.

O pico de 2021 foi associado a receitas extraordinárias da concessão de serviços da Cedae e do setor de petróleo. Segundo dados da Secretaria de Fazenda corrigidos pelo IPCA até dezembro de 2025, a disponibilidade de caixa líquida caiu de R$ 22,3 bilhões em 2022 para R$ 14,2 bilhões em 2025. Considerados apenas os recursos não vinculados, a redução foi de R$ 17,4 bilhões para R$ 2,2 bilhões no período.

A Lei Orçamentária Anual previa um déficit de quase R$ 19 bilhões para 2026. O governo interino do desembargador Ricardo Couto, porém, avalia que poderá encerrar o ano com rombo menor ou até superávit, sem informar o tamanho do eventual resultado positivo. A expectativa é atribuída ao aumento da arrecadação de ICMS e dos royalties do petróleo após a eclosão da guerra no Irã.

A gestão também aderiu em junho ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, que renegocia débitos com a União, e anunciou medidas de contenção, como revisão de contratos e exonerações. De 24 de março a 21 de agosto, foram exonerados 6.145 servidores comissionados e nomeadas 2.496 pessoas. O governo projetou economia de cerca de R$ 221 milhões até dezembro.

Em agosto, o pagamento mensal da dívida com a União foi de R$ 119 milhões sob as regras do programa, ante R$ 436 milhões sem a adesão. A Secretaria de Fazenda informou que a dívida total do Estado somava R$ 242,1 bilhões em julho, dos quais R$ 213 bilhões estavam relacionados à União e R$ 25,6 bilhões a bancos.

O governo interino também anunciou a preparação de uma Lei de Responsabilidade Fiscal estadual. A proposta deve estabelecer mecanismos para evitar o uso de receitas extraordinárias no financiamento de despesas permanentes. O Tribunal de Contas do Estado recomendou, por 3 votos a 1, a rejeição das contas de 2025, mas a decisão final cabe à Assembleia Legislativa.

Fonte: Valor Econômico

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