Conjuração Baiana expõe apagamento da participação negra na Independência
Reprodução/BBC News Brasil
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Conjuração Baiana expõe apagamento da participação negra na Independência

Movimento iniciado em 1798 defendia a separação de Portugal, a república e o fim da escravidão. Historiadores afirmam que a narrativa centrada no 7 de Setembro ocultou outras lutas por emancipação.

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Por Redação Fato Inteiro · 7 de setembro de 2026 às 05:59
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A Conjuração Baiana, também chamada de Revolta dos Alfaiates ou Revolta dos Búzios, começou em 12 de agosto de 1798 e terminou no fim do ano seguinte. Em 8 de novembro de 1799, seus quatro principais líderes — Luiz Gonzaga das Virgens e Veiga, Lucas Dantas do Amorim Torres, Manuel Faustino dos Santos Lira e João de Deus Nascimento — foram executados em praça pública.

O movimento reunia reivindicações de independência política, implantação de um regime republicano e fim da escravidão. Muitos participantes eram negros, incluindo os quatro líderes executados. Para historiadores ouvidos pela BBC News Brasil, a Conjuração Baiana teve participação expressiva de pessoas negras livres e escravizadas e associou a separação de Portugal à abolição.

A historiadora Ynaê Lopes dos Santos também cita a Inconfidência Mineira, de 1789, e a Revolução Pernambucana, de 1817, entre os movimentos que defenderam a separação de Portugal antes de 1822. Segundo ela, a Revolta dos Búzios se diferenciou por tratar conjuntamente da independência e do fim da escravidão.

Pesquisadores afirmam que a narrativa nacional consolidada em torno do 7 de Setembro privilegiou a atuação das elites e deixou em segundo plano revoltas populares e negras. O historiador Francisco Phelipe Cunha Paz destaca que o nome “Revolta dos Búzios” faz referência às populações negras envolvidas no levante e aos búzios usados pelos revoltosos como forma de identificação.

A reportagem também aborda a Independência proclamada em 1822 como um processo mais amplo e conflituoso do que a representação de dom Pedro levantando a espada. Historiadores afirmam que a elite política do período manteve a escravidão como base da organização econômica, política e social do país, enquanto a história oficial teria reduzido o processo ao episódio de 7 de Setembro.

Fonte: BBC News Brasil

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