

Climatechs brasileiras buscam capital para ampliar soluções climáticas
Mais de 500 climatechs atuam no Brasil em áreas como agricultura, energia, resíduos e mobilidade, mas enfrentam dificuldades para obter investimentos. O país precisará mobilizar cerca de US$ 1 trilhão até 2030 para cumprir sua parte na agenda climática, segundo os trechos citados na reportagem.
A transição climática global deverá exigir entre US$ 2,6 trilhões e US$ 3 trilhões em investimentos anuais até 2050, conforme projeção do Boston Consulting Group. No Brasil, o ecossistema de climatechs reúne mais de 500 empresas, em sua maioria originadas em universidades e centros de pesquisa, segundo o Panorama Deep Climate Brasil 2025.
Essas empresas desenvolvem soluções para áreas como agricultura, sistemas alimentares, gestão de resíduos, logística, mobilidade, água, saneamento, florestas, indústria, energia e financiamento. Para Zé Gustavo, diretor-executivo do Fórum Brasileiro das Climatechs, o desafio é transformar os ativos brasileiros em capacidade tecnológica, empresarial e competitiva.
O acesso a capital, porém, continua sendo um obstáculo. A América Latina recebeu US$ 743 milhões dos US$ 92 bilhões investidos globalmente em climatechs em 2024, o equivalente a 0,8%, de acordo com a plataforma NetZero Insights. Especialistas apontam que essas empresas costumam exigir ciclos mais longos de desenvolvimento e maior tolerância a riscos do que startups digitais de retorno rápido.
Entre os exemplos citados está a Agrosmart, fundada em 2015, que atende 100 mil produtores em 48 milhões de hectares no Brasil e nos Estados Unidos. A empresa afirma que, em 2025, sua tecnologia Booster PRO contribuiu para a economia de 58,1 bilhões de litros de água e 309 milhões de KWh de energia, além de evitar a emissão de 14 mil toneladas de CO2.
A Terradot, criada na Universidade Stanford por pesquisadores brasileiros e americanos, atua na remoção de carbono por meio do intemperismo acelerado de rochas. Segundo sua executiva-chefe, Julia Sekula, contratos de longo prazo com o agronegócio em São Paulo, Paraná e Mato Grosso somam US$ 100 milhões; a empresa planeja expandir para a Índia e a União Europeia em 2027.
Também foram citadas a WayCarbon, que tem 200 clientes em 30 países e prevê investir mais R$ 10 milhões em desenvolvimento em 2027, e a Sipremo, que oferece tecnologia para prever mudanças e desastres climáticos. Para representantes do setor, o amadurecimento do ecossistema, o acesso a dados, investimentos especializados, regulação e o surgimento de empresas com tecnologia proprietária serão decisivos para ampliar a participação brasileira.
Fonte: Valor Econômico
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