

Cerca de 1,8 mil candidatos acumulam R$ 1,42 bilhão em dívidas com a União
Levantamento aponta que aproximadamente 1,8 mil candidatos nas eleições devem R$ 1,42 bilhão ao governo federal. Ao menos 956 teriam patrimônio declarado suficiente para quitar os débitos, segundo dados enviados ao TSE.
Cerca de 1,8 mil candidatos a cargos públicos devem, juntos, R$ 1,42 bilhão à União. A maior parte dos débitos é formada por impostos, mas também há multas trabalhistas e eleitorais e taxas judiciais. A dívida mais antiga identificada está em cobrança há 31 anos.
O levantamento foi realizado pelo Valor com base no cruzamento de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atualizados até 2 de setembro, e da dívida ativa da União, disponibilizados pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Foram consideradas dívidas irregulares, sem garantia, suspensão judicial ou parcelamento por transação tributária, excluindo débitos previdenciários e do FGTS.
Cinco candidatos concentram 57% do total, com R$ 808,8 milhões em débitos. Eles estão autorizados a utilizar recursos públicos de campanha, provenientes dos fundos partidário e eleitoral. Entre os maiores devedores estão Ricardo Murad (Podemos-MA), com R$ 421 milhões inscritos na dívida ativa; Ruy Muniz (PV-MG), com R$ 89 milhões; e Jacob Kaefer (PRD-PR), com R$ 53,5 milhões. Os três concorrem a deputado federal.
Segundo especialistas ouvidos pelo jornal, a existência de dívida ativa não impede, por si só, uma candidatura, exceto no caso de multa eleitoral em aberto. Ainda assim, 13 candidatos com multas eleitorais não quitadas tiveram suas candidaturas deferidas, enquanto outros seis aguardavam julgamento. Juntos, os 19 candidatos deviam R$ 957 mil.
Ao todo, a lista reúne 991 candidatos a deputado estadual, 684 a deputado federal, 18 a governador, 13 a vice-governador e 21 ao Senado. Também há 52 candidatos a deputado distrital e 58 postulantes às vagas de primeiro e segundo suplentes. Os valores podem variar conforme a atualização dos dados da PGFN e a regularização de débitos.
Fonte: Valor Econômico
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