BYD transforma Camaçari em polo de expansão chinesa no setor automotivo
Foto: Vitor Serrano/BBC · Fonte: bbc.com
Brasil

BYD transforma Camaçari em polo de expansão chinesa no setor automotivo

A fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia, já emprega 7.618 pessoas e produziu mais de 100 mil veículos com kits importados, embora a produção nacional esteja prevista para começar no fim de 2026. A presença chinesa também envolve outras empresas, trabalhadores nas obras e milhares de vistos emitidos na região desde 2024.

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Por Redação Fato Inteiro · 20 de outubro de 2026 às 04:54
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A unidade da montadora chinesa foi inaugurada em outubro de 2025, no mesmo espaço onde funcionava uma fábrica da Ford, fechada em 2021. Segundo a empresa, 457 dos funcionários diretos são estrangeiros, e a maioria deles é chinesa. Trabalhadores do país também atuam nas obras do complexo e dos alojamentos.

Dados da Polícia Federal citados pela BBC News Brasil registram 2.310 vistos de residência emitidos em Camaçari e Lauro de Freitas desde 2024, a maioria temporários. A reportagem afirma que os chineses estão espalhados por hotéis e condomínios, sem concentração em um bairro específico.

A expansão da BYD é apresentada como parte da entrada de marcas chinesas no mercado brasileiro de veículos elétricos. Além dela, a GWM e a Geely também são mencionadas. Para o consultor Rogélio Golfarb, o Brasil se tornou “o maior laboratório chinês” no mercado automotivo, com mais de 20 marcas no país.

Levantamento da Bright Consulting até junho de 2026 apontou queda de 3,5% no preço de transação de veículos leves novos, para R$ 152,1 mil. A consultoria atribuiu o recuo ao aumento da concorrência e à oferta de mais equipamentos por marcas novas, sem aumento proporcional dos preços.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos local, Júlio Bonfim, relata aumento de reclamações sobre pressão, tratamento grosseiro e assédio moral na BYD. O Ministério Público do Trabalho abriu procedimento para investigar alegações de assédio moral e sexual, mas o arquivou recentemente por falta de provas. Em nota, a empresa declarou que não tolera assédio ou discriminação e que mantém canais confidenciais para denúncias.

Em julho de 2026, o sindicato realizou a primeira paralisação na fábrica, segundo Bonfim, após a notificação de dois dirigentes sindicais. Ainda conforme o presidente da entidade, 2.700 trabalhadores participaram do protesto. Durante as obras, no fim de 2024, 163 cidadãos chineses foram resgatados de condições análogas à escravidão no canteiro da BYD, segundo o trecho da reportagem.

Fonte: BBC News Brasil

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