

BoJ eleva crédito climático a US$ 157 bilhões e impõe limite ao programa
O saldo do financiamento climático do Banco do Japão chegou a 24,9 trilhões de ienes, ou US$ 157 bilhões, em julho. Em setembro, a instituição adotou juros flutuantes e fixou um teto de 50 trilhões de ienes para o programa.
O Banco do Japão (BoJ) ampliou de forma contínua seu programa de financiamento climático nos últimos cinco anos. O saldo alcançou 24,9 trilhões de ienes em julho, diante de um balanço total de cerca de 640 trilhões de ienes.
Criado em 2021, o programa oferece empréstimos de um ano a instituições financeiras que financiam projetos e empresas voltados ao combate às mudanças climáticas. Os contratos podem ser renovados até março de 2031 e abrangem iniciativas classificadas como “verdes” ou de “transição”, incluindo setores de alta emissão que avançam rumo à descarbonização.
Na reunião de política monetária de setembro, o BoJ alterou os empréstimos para uma taxa flutuante e estabeleceu um limite de 50 trilhões de ienes para o programa, com teto de 10 trilhões de ienes por contraparte. O presidente da instituição, Kazuo Ueda, afirmou que as mudanças buscam garantir a estabilidade das operações de mercado e manter o apoio às respostas privadas às mudanças climáticas.
A expansão ocorre em meio a um debate sobre os limites da atuação dos bancos centrais no financiamento climático. O direcionamento de recursos para determinados projetos pode aproximar essas instituições de uma função de política fiscal, que normalmente cabe aos governos. O professor Tomoyuki Shimoda, da Universidade Rikkyo e ex-integrante do BoJ, defendeu a construção gradual de uma carteira de projetos de alta qualidade e a adoção de juros flutuantes.
Críticos também pedem critérios mais definidos para a participação no programa. Matthew Poggi, pesquisador visitante da London School of Economics e ex-economista do BoJ, recomendou regras de elegibilidade mais claras, maior condicionalidade e salvaguardas contra o greenwashing. Atualmente, as contrapartes podem determinar se um empréstimo apoia a descarbonização, enquanto o governo japonês não adota uma taxonomia específica para classificar investimentos verdes ou de transição.
Além do Japão, bancos centrais como o Banco Central Europeu e o Banco Popular da China mantêm iniciativas de apoio ao financiamento climático. No caso japonês, o governo também criou exigências de divulgação de informações de sustentabilidade para determinadas empresas e obrigações relacionadas a planos de transição para companhias com altas emissões de dióxido de carbono.
Fonte: Valor Econômico
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