

BoJ avalia alta de juros enquanto rendimentos de longo prazo sobem no Japão
O Banco do Japão considera elevar a taxa básica para conter riscos de inflação, mas investidores projetam uma taxa terminal mais alta e pressionam os rendimentos de longo prazo. O título público japonês de dez anos voltou a superar temporariamente 3%.
O Banco do Japão (BoJ) e o mercado divergem sobre os efeitos de novos aumentos de juros nos rendimentos de longo prazo. Autoridades da instituição avaliam que o aperto pode conter expectativas de inflação, enquanto investidores se preparam para uma taxa terminal acima da projetada anteriormente.
Os rendimentos dos títulos públicos japoneses de referência de dez anos ultrapassaram temporariamente 3% na terça-feira. A alta ocorre em meio a fatores como o avanço dos preços do petróleo e preocupações com as finanças públicas do país. Juros mais elevados aumentam o custo do serviço da dívida do governo e do financiamento imobiliário com taxas fixas para as famílias.
O BoJ não fixa diretamente os juros de longo prazo, mas define a taxa de empréstimo interbancário de curtíssimo prazo, que tem forte relação com esses rendimentos. No mercado de overnight index swap, a taxa de um ano para entrega em dois anos, usada como indicador das expectativas para a taxa terminal, tem sido negociada perto de 2,4%.
A expectativa é que o banco central eleve sua taxa básica para 1,25% na reunião de política monetária desta quinta e sexta-feira. As projeções de mercado indicam ainda cerca de quatro aumentos adicionais de 0,25 ponto percentual depois desse movimento.
Além das expectativas para os juros futuros, o prêmio de prazo tem pressionado os rendimentos. Preocupações fiscais no Japão, a alta do petróleo e uma onda global de venda de títulos dificultam a avaliação do efeito das decisões do BoJ sobre as taxas de longo prazo. O banco encerrou o controle da curva de rendimentos em março de 2024 e agora reduz sua carteira de títulos públicos.
Se a alta dos rendimentos continuar, podem crescer as preocupações com a economia e as finanças públicas japonesas, além das pressões para que o BoJ amplie a compra de títulos. As atenções estão voltadas à capacidade da instituição de comunicar sua estratégia e preservar a confiança do mercado.
Fonte: Valor Econômico
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