

Analistas dizem que Brasil ainda tem “muitos amigos” em Washington
Especialistas ligados aos governos Obama e Biden afirmam que parlamentares democratas criticam a política de Donald Trump em relação ao Brasil e às instituições eleitorais. Para eles, a estratégia de coerção dos EUA pode afastar parceiros tradicionais.
Lideranças democratas da Comissão de Relações Exteriores do Senado americano têm criticado ações do governo Donald Trump contra o Brasil. As manifestações ocorreram em meio a questionamentos sobre políticas que, segundo os parlamentares, ampliam a desconfiança em processos eleitorais e afastam parceiros dos Estados Unidos.
Após uma reportagem do The Washington Post sobre uma tentativa do Departamento de Estado de enviar emissários ao Brasil para levantar dúvidas sobre a integridade do pleito, a ala democrata da comissão afirmou no X que a gestão Trump busca “espalhar teorias da conspiração”.
A senadora Jeanne Shaheen também criticou a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti. Para ela, Trump “jogou fora a diplomacia em detrimento dos povos brasileiro e americano”.
Na avaliação de Nick Zimmerman, ex-diretor para assuntos de Brasil e Cone Sul no Conselho de Segurança Nacional, e Frank Mora, ex-embaixador dos EUA na OEA, as manifestações indicam que “o Brasil ainda tem muitos amigos em Washington”. Zimmerman disse que os democratas veem o país como “um parceiro e amigo histórico”.
Mora classificou a política americana para a América Latina como “imprevisível e incoerente”. Os dois especialistas afirmaram que a estratégia de coerção pode produzir efeitos contrários aos desejados e defenderam uma relação baseada em parceria, respeito e cooperação.
Apesar das críticas, Zimmerman reconheceu como positiva a atenção dada por Trump à América Latina. Mora afirmou que o próximo governo americano deverá manter a região como prioridade, embora por meio de uma política “completamente diferente”.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
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