

Aliados de Lula veem economia como risco maior que acusações contra Lulinha
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que a percepção dos eleitores sobre preços e endividamento pode representar uma ameaça maior à campanha de reeleição do que as acusações contra seu filho Fábio Luís, o Lulinha. O tema econômico passou a ser explorado publicamente por Lula e pelo senador Flávio Bolsonaro.
Em conversas reservadas, aliados de Lula afirmam que o custo de vida e o endividamento são mais sensíveis para o eleitorado do que as acusações de suposto lobby envolvendo Lulinha. Fábio Luís é acusado de tentar vender ao Ministério da Saúde medicamentos à base de canabidiol em parceria com a lobista Roberta Luchsinger, mas nega irregularidades.
A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro sobre a economia ganhou força após o pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia. O governo destaca o baixo desemprego e a inflação controlada, mas reconhece que a taxa de juros, de 14% ao ano, pressiona as dívidas de pessoas e empresas. A dívida pública chegou a 82,5% do PIB, segundo o texto.
Flávio passou a usar a crise da varejista e os preços dos alimentos em vídeos e discursos. As campanhas também travaram uma disputa em supermercados, com referências ao preço da picanha, do café e ao poder de compra das famílias. A campanha petista identificou perfis que teriam replicado conteúdos semelhantes aos discursos do senador e deverá pedir investigação à Justiça Eleitoral por possível disseminação de informações falsas.
Aliados de Lula dizem que a campanha precisa enfatizar indicadores mais próximos do cotidiano, como o desemprego em torno de 5,4%, os níveis de renda e a inflação acumulada. A avaliação de políticos ouvidos pela Folha é que as acusações contra Lulinha dificultam a conquista de novos votos, mas, com as informações disponíveis, não seriam suficientes para afastar eleitores do presidente.
A última pesquisa Datafolha citada aponta Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, ante 33% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, o petista aparece com 47%, contra 43% do senador, resultado descrito como empate técnico no limite da margem de erro de dois pontos percentuais.
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