

Alemanha e França alertam para intensificação de ações híbridas russas na Europa
Atribuição a Moscou de um ataque com drone na Alemanha elevou as tensões entre a Rússia e países ocidentais. Especialistas citam sabotagens, incêndios, operações de influência e ataques cibernéticos como parte de um padrão mais amplo de ações na Europa.
As tensões entre a Rússia e o Ocidente aumentaram depois que a Alemanha atribuiu a Moscou um ataque com drone no aeroporto de Leipzig/Halle, ocorrido no mês anterior. O ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, classificou o episódio como parte do padrão de operações híbridas russas, que combinariam táticas militares e não militares sem um conflito aberto.
Após as acusações, Alemanha e Rússia fecharam centros culturais uma da outra, incluindo o consulado russo em Bonn. Moscou negou envolvimento no ataque e rejeitou também acusações relacionadas a incidentes anteriores.
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a ameaça de ações híbridas russas se intensificou e ordenou a elaboração de um plano para proteger infraestruturas críticas e instalações da indústria de defesa. Segundo ele, a França também convocará uma reunião do G7 para tratar de energia e dos estoques de gás europeus.
Entre os episódios mencionados estão um ataque de drone contra um trem de passageiros próximo à fronteira entre Ucrânia e Polônia e incêndios suspeitos em instalações de defesa da Itália à Estônia. A Rússia, por sua vez, declarou que não pretende atacar a Europa, mas o ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, advertiu que o envio de tropas europeias à Ucrânia seria interpretado como uma declaração de guerra.
Um levantamento do centro de estudos Globsec identificou 151 casos de atividade russa contra a Europa entre fevereiro de 2022 e fevereiro de 2026. A lista inclui tentativas de assassinato, incêndios criminosos, sabotagem, vandalismo e distúrbios públicos. Um relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso dos Estados Unidos também citou acusações envolvendo ferrovias, cabos submarinos, ataques cibernéticos, interferência política e violações do espaço aéreo.
Especialistas ouvidos pela BBC afirmam que as ações buscam pressionar o apoio europeu à Ucrânia, explorar divisões políticas e testar a prontidão da Otan. Governos europeus também acusaram redes ligadas à Rússia de disseminar desinformação por meio de contas falsas, relatórios fabricados e conteúdo gerado por inteligência artificial. Otan e União Europeia dizem estar reforçando a cooperação de inteligência, a proteção de infraestruturas críticas e as sanções relacionadas à Rússia.
Fonte: BBC News Brasil
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