

Ajuste fiscal exigirá medidas difíceis e pode ficar para 2030, diz análise
Atingir superávit primário de 2% do PIB no próximo mandato é considerado necessário para estabilizar a dívida, mas também difícil diante da atual estrutura de gastos públicos. Análise publicada pela Folha aponta que um ajuste mais amplo pode não ocorrer em 2027.
A corrida presidencial deve ser acompanhada por propostas econômicas, mas a situação fiscal limita a possibilidade de combinar sustentabilidade das contas públicas e crescimento forte sem medidas de ajuste mais duras, segundo análise publicada pela Folha de S.Paulo.
O texto afirma que um superávit primário equivalente a 2% do Produto Interno Bruto seria necessário para estabilizar a dívida. Alcançar esse resultado no próximo mandato, porém, é considerado difícil.
A dívida pública bruta deve chegar a quase 83% do PIB neste ano. A análise avalia que conter o crescimento das despesas, por meio de mudanças no arcabouço fiscal, não seria suficiente por si só, diante do avanço dos gastos obrigatórios e da redução do espaço para despesas discricionárias.
As despesas discricionárias são estimadas em cerca de R$ 200 bilhões, e um quarto desse valor é destinado a emendas parlamentares. O texto também destaca a necessidade de rever gastos tributários, que somam aproximadamente 7% do PIB nas três esferas de governo.
A análise defende a combinação entre a revisão de impostos sobre as classes de renda mais alta e a redução e melhoria da eficiência do Estado. Entre o déficit primário estimado em 1,5% do PIB para 2027 e o superávit de 2%, o texto considera mais provável um desvio gradual da trajetória atual e sugere mirar em 2030.
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