

Ajuste fiscal dependerá de reformas e do comportamento do Congresso em 2027
Debates eleitorais sobre as contas públicas não detalham o alcance das medidas que poderiam ser adotadas no próximo governo. Especialistas apontam que o resultado dependerá da crise de confiança, da disposição do Executivo e da atuação do Congresso Nacional.
As discussões sobre o ajuste fiscal para o próximo governo ainda não revelam toda a dimensão das medidas possíveis. Reformas estruturais tendem a ser pouco detalhadas em campanhas por envolverem mudanças impopulares, enquanto promessas de aumento de gastos enfrentam um Orçamento federal cada vez mais pressionado.
O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, apareceu usando um broche em formato de tesoura. O texto lembra, porém, que a agenda liberal defendida pela equipe econômica do ex-presidente Jair Bolsonaro enfrentou resistências durante seu governo, incluindo a reforma administrativa e propostas de desindexação de benefícios sociais.
No plano de governo do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), está prevista a continuidade da política de valorização do salário mínimo, com aumentos acima da inflação. A regra aprovada em 2024, contudo, limita a 2,5% o crescimento real do benefício. O comportamento do Congresso também é apontado como fator decisivo, após pautas com impacto estimado em R$ 111 bilhões avançarem em junho.
Para Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper, o esforço fiscal dependerá da crise de confiança no período pré-eleitoral. Em uma eventual vitória de Lula, ele avalia que o ajuste poderia ficar abaixo do necessário para estabilizar a trajetória da dívida. Sobre Flávio, Mendes vê incerteza quanto ao comando da economia e ao compromisso com o ajuste.
Bráulio Borges, do FGV Ibre, defende que medidas de um pacote de quatro ou cinco anos sejam anunciadas e aprovadas em 2027. Entre as despesas destacadas por ele estão precatórios, Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada e repasses ao Fundeb. Mendes também cita a necessidade de mudanças em emendas parlamentares, benefícios previdenciários e assistenciais, supersalários e benefícios tributários. A Fazenda ainda defende limitar a 1,5% o crescimento anual das despesas, proposta que diverge da posição do Ministério do Planejamento.
Fonte: valor.globo.com
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