Abstenção e votos brancos e nulos podem crescer nas eleições de 2026, diz cientista político
Reprodução/BBC News Brasil
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Abstenção e votos brancos e nulos podem crescer nas eleições de 2026, diz cientista político

Jairo Nicolau avalia que o desânimo com os candidatos, a repetição da polarização e a crise no STF podem elevar a ausência às urnas neste ano. Segundo ele, a abstenção pode atingir o maior nível das eleições gerais desde 2002.

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Por Redação Fato Inteiro · 24 de setembro de 2026 às 05:49
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A abstenção, que atingiu um recorde nas eleições de 2022, pode crescer novamente no pleito de 2026, segundo avaliação do cientista político Jairo Nicolau. Ele também aposta em uma alta dos votos brancos e nulos, a cerca de uma semana da votação.

Professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Nicolau atribui o cenário ao desânimo com os candidatos, à repetição da polarização entre petismo e bolsonarismo e ao espaço reduzido para o debate eleitoral. Para ele, a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) também desviou a atenção da campanha.

“Essa é uma eleição em que as pessoas estão desanimadas com os candidatos que estão aí, e que tem grande chance de aumentar, num nível razoável, a abstenção e os votos nulos e brancos”, afirmou. O cientista político disse ainda que “talvez a gente tenha a maior taxa de abstenção nas eleições gerais de 2002 para cá”.

Nicolau pondera que a ausência às urnas não representa, necessariamente, uma decisão política deliberada. Entre os motivos estão o voto facultativo para pessoas com mais de 70 anos, a mudança de cidade sem transferência do título e problemas no dia da eleição. Ele afirma que não há pesquisa ou estimativa sobre a parcela de eleitores que deixa de votar por rejeição aos candidatos.

Na avaliação do professor, a facilidade para justificar a ausência reduziu o custo de não votar. O uso do e-Título e as consequências consideradas pequenas para quem não comparece fariam o país caminhar, na prática, para uma espécie de voto facultativo não declarado.

O cientista político também relaciona o possível aumento da abstenção ao ambiente da campanha. Segundo ele, houve menos conversa sobre política e a propaganda nas ruas começou mais tarde que em eleições anteriores. A crise no STF, afirmou, ocupou parte significativa de uma campanha curta e reduziu o espaço dedicado a questões de política pública.

Fonte: BBC News Brasil

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